A REVISTA GUITAR PLAYER NORTE-AMERICANA FOI FUNDADA DURANTE O VERÃO DE 1967 QUANDO JIMI HENDRIX PÔS FOGO NA SUA STRATOCASTER EM MONTEREY E DETONOU UMA REVOLUÇÃO NA GUITARRA ELÉTRICA. EM TRÊS DÉCADAS, DESDE AS CHAMAS SAGRADAS DE JIMI, MILHARES DE ÁLBUNS DE GUITARRAS FORAM LANÇADOS E, EMBORA MUITOS APENAS OSCILARAM POR UM MOMENTO NO OUVIDO DO PÚBLICO, OUTROS MARCARAM REGISTROS PERMANENTES NA CABEÇA DOS GUITARRISTAS.
SEIS EDITORES DA GP NORTE-AMERICANA - JOHNSTON, GORE, OBRECHT, ROTONDI, THOMPSON E ELLIS - VASCULHARAM AS SUAS MEMÓRIAS, COLEÇÕES DE DISCOS, NÚMEROS ATRASADOS E LIVROS DE REFERÊNCIAS PARA DESCOBRIR OS MELHORES DISCOS DE GUITARRA DOS ÚLTIMOS 30 ANOS. A PARTIR DAÍ, HOUVE UM GRANDE ESFORÇO PARA ESCOLHER O SINGLE MAIS IMPORTANTE E INFLUENTE PARA CADA ANO. "MISSÃO IMPOSSÍVEL", VOCÊ DIRIA? ANDY ELLIS CHEGOU A ARGUMENTAR CONTRA O CONCEITO JORNALÍSTICO DE COLOCAR UM SINGLE DE UM DISCO SOBRE OUTRO. NO ENTANTO, OS DEMAIS MEMBROS DA "COMISSÃO JULGADORA" DECIDIRAM INSISTIR NO CARA-OU-COROA INTELECTUAL E PROVÁVEL DILÚVIO DE CARTAS DO TIPO "COMO VOCÊS PUDERAM DEIXAR DE FORA...?", NA ESPERANÇA QUE AS ESCOLHAS POSSAM INSPIRAR OS GUITARRISTAS A BUSCAREM A MÚSICA ESSENCIAL. A SURPRESA, AO FINAL, FOI QUE A LISTA DOS ESCOLHIDOS COMBINA COM A ÊNFASE EDITORIAL DA GUITAR PLAYER NO QUE DIZ RESPEITO AO ECLETISMO. DOS RENEGADOS DAS CORDAS DE NYLON AOS FUSIONISTAS E PUNKS PRIMAIS, AS ESCOLHAS TOP E VICE-CAMPEÃS CONFRONTAM AS POSSIBILIDADES DO INSTRUMENTO COM UMA INDIVIDUALIDADE SEM COMPROMISSO.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

LOU REED, Rock Às Avessas

Reed: a música, como a vida, deve ter momentos de dor intolerável
TÁRIK DE SOUZA

Descendente do selvagem e feérico underground de Nova York (onde nasceu e foi criado num cortiço), Lou Reed é um astro de rock às avessas. Não é fácil encontrá-lo em duas situações parecidas. Ora, com os cabelos em revolta, veste-se de um lamê berrante capaz de classificá-lo na geração do rock "glitter" (brilhante). Outras vezes, cabelos longos e criçados, e num luto soturno, parece próximo das adorações macabras dos ingleses do Black Sabbath (Missa Negra).
No entanto, sua imagem permanece intocada e identificável em Rock'n'Roll Animal, seu quarto LP individual, e segundo lançado no Brasil. "Minha música não é como os programas de TV, onde todas as coisas ruins que acontecem ficam num limite tolerável. A vida não é assim e a música também não", sublinha o próprio Lou Reed. No disco, ele reprisa alguns êxitos conhecidos de seu público especial, fiel desde os tempos em que ele era líder do requintado conjunto Velvet Underground, administrado pelo artista e cineasta Andy Warhol.
Imitador de Dietrich - Estudante de piano desde os 5 anos de idade, hábil imitador na adolescência de estrelas como Marlene Dietrich, Reed era estranho e agressivo como o ambiente a sua volta. Hoje, contudo, tornou-se um superídolo como qualquer outro. Mas ainda vende menos discos que outro também fervoroso adepto da ala andrógina do rock, o inglês David Bowie - por sinal um ardente impulsionador da carreira de Reed, tendo produzido seu LP Transformer. Já no disco seguinte, o produtor era Bob Ezrin, o mesmo de Alice Cooper. O resultado foi Berlin, de um requinte trágico. Ezrin ficou encantado: "Lou Reed é o maior letrista americano vivo, em muitos furos superior a Bob Dylan".
Podado o exagero, no entanto, a curta antologia de Rock'n'Roll Animal (seis faixas) reafirma a energia poética de Reed, sua coragem em pisar terrenos pantanosos e a eloquência dramática de sua exibição ao vivo. Mas, embora convincente e veraz, Reed julgou prudente declarar, no fim do ano passado, ao jornal inglês Melody Maker: "A gente deve escrever sobre o que vê e sabe. Acontece que às vezes eu me separo das letras - elas não falam de mim, pessoalmente, entende?". VEJA (24/7/1974)

Nenhum comentário:

Postar um comentário